sexta-feira, 26 de junho de 2009

AstroShop mundo real.

A AstroShop é uma loja 100% virtual e não possui representantes nem loja física para atendimento. Optamos por esse modelo para reduzir ao máximo os custos e investir na qualidade dos produtos, de atendimento e serviços pós-venda.

Mas existe a AstroShop mundo real onde trabalham pessoas nas áreas de assitência técnica, atendimento, vendas, administração, expedição e controle de estoque. Decidimos então diminuir ainda mais a distância virtual e publicar algumas fotos com o dia-a-dia do pessoal:

1) Nosso técnico em eletrônica Marcos consertando um refrator SkyWatcher 80ED Pro que o cliente pediu para verificar o focalizador:


2) Controle de qualidade realizada pelo Marco e Gustavo antes do envio de produtos:


3) Posição de atendimento pré e pós venda realizada pelo Davidson:



Aos poucos vamos arrumar a casa e fazer novas fotos demonstrando a seriedade com que a empresa cuida de seus clientes.




quinta-feira, 25 de junho de 2009

Procedência e País de Origem

Ultimamente tenho recebido vários emails sobre a procedência dos produtos e alguma confusão sobre o país de origem.

Basicamente todos os produtos de telescópio, binóculos e seus acessórios são atualmente fabricados na China, Taiwan e Hong Kong. Alguns produtos são fabricados nos EUA, Alemanha e Japão.

Então a definição de País de Origem segundo a Receita Federal seria aquele onde o produto foi FABRICADO.

Logo a definição de Procedência seria o local de onde o produto foi ENVIADO.

Assim temos diversas combinações entre elas algumas como:
1) Produtos da Celestron são todos importados do EUA e logo tem esse como procedência. E o país de origem pode ser vários China, Taiwan, Japão, etc.

2) Os produtos da GSO são todos importados de Taiwan e logo tem procedência e país de origem no mesmo.

3) Os produtos da SkyWatcher são todos fabricados na China mas podem ser importados da China ou do Canadá. Pois ao ser importado da China demora de 45 a 60 dias para fabricar e depois 30 dias para enviar. Enquanto do Canadá demora 35 dias para enviar pois normalmente tem todos os produtos em estoque.

Assim gostaria de terminar com alguma afirmações incorretas sobre a procedência dos produtos.

De qualquer forma o mais importante seria a qualidade dos mesmos. Conforme demonstrei em outros artigos na China se fabrica produtos e qualidade dependendo do fabricante, etc.

Com isso espero tirar as dúvidas com relação a esse assunto.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A Verdade sobre binóculos...


Especificações de binóculos
Um bom conselho para quem deseja iniciar na astronomia seria usando binóculos pois são equipamentos óticos de fácil manuseio e transporte. Devido a essa facilidade existem também aqueles que desejam vender “gato-por-lebre” afirmando que determinados modelos fazem milagres além da imaginação ou super poderes de ampliação que deixariam a visão do Superman no chinelo.
O objetivo desse artigo é explicar de forma simplificada como reconhecer um binóculo que oferece o mínimo de seriedade na hora da compra. Bastando usar uma régua milimetrada e algumas dicas, qualquer pessoa seria capaz de identificar os recursos oferecidos.
E não se engane milagres não existem...
Qualidade ótica versus custos
Com a entrada dos fabricantes Chineses no mercado de binóculos temos de tudo literalmente. Desde modelos excelentes até o mais puro e simples lixo ótico e mecânico. E não se deixe enganar pelas marcas pois atualmente 90% do mercado é de modelos fabricados na China com marcas dos EUA e Europa.

Somente alguns poucos ainda são fabricados no Japão, EUA e Europa. Normalmente são modelos de qualidade comprovada porém num custo que iguala a qualidade. Pois no ramo da ótica custo esta realmente diretamente ligado a qualidade. Mas nem sempre custo significa garantia de qualidade.
Além do fator custo temos de levar em consideração que praticamente 100% dos binóculos no Brasil são importados e com isso incidem impostos de importação (II), IPI, ICMS, e mais alguns. Tornando assim o custo ainda mais elevado. O que obriga o consumidor a pesquisar ainda mais antes de fechar qualquer negócio.
Basicamente existem dois tipos de montagem ótica de binóculos e qualidade de componentes. São elas ROOF e PORRO de montagem dos prismas e vidros tipo BAK4 e BAK7. Além desses existem outros para modelos mais avançados que fogem do tema desse artigo.
Os modelos ROOF usam prismas e lentes numa montagem compacta e normalmente são usados para esse fim. Possibilitando assim a construção de modelos compactos como 8x21, 10x25, etc.
Os modelos PORRO oferecem qualidade ótica melhor porém ao custo de um tamanho maior. Normalmente são usados em modelos acima de 7x35 ou 10x50.

Binóculo com prisma PORRO:

Binóculo com prisma ROOF:

Os modelos fabricados com vidro tipo BAK7 tem custo menor porém produzem uma qualidade ótica igualmente menor que os modelo tipo BAK4. Dica importante: para identificar se um binóculos é BAK7 ou BAK4 basta olhar como a imagem é formada nas bordas. Se a imagem for retangular é porque a ótica foi fabricada com BAK7. Se a imagem for redonda foi fabricado com BAK4.
BAK4:

BAK7:

Mas a qualidade das lentes também influe no conjunto total. De forma que não adianta um binóculo usar prismas BAK4 e ter lentes tipo RUBICON. Dica importante: não aceite modelos com lentes RUBICON. As lentes avermelhadas na verdade escondem a baixa qualidade ótica do conjunto. Ao filtrar a cor vermelha temos uma visão não realista da cena. E ainda existem aqueles que afirmam ter capacidades de visão noturna um simples e clara mentira. Além do fato que binóculos de visão noturna só podem ser comercializados e comprados por empresas autorizadas pelo Exército.
Nunca compre um binóculo de visão noturna sem a devida autorização. Essa prática é considerada crime inafiançavel de tráfico de armas. Para mais informações sobre binóculos de visão noturna visite o site abaixo da Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados, Exército Brasileiro:
DFPC - http://www.dfpc.eb.mil.br/paginas/index.html

Um bom binóculo deve ter lentes MC ( multi coated ) ou FMC ( fully multi coated ). Todos os binóculos possuem lentes com algum tipo de revestimento nas superfícies das lentes que ficam em contato com o ar. Dessa forma reduzem bastante a reflexão nas próprias superfícies melhorando a qualidade final da imagem. Existem basicamente 3 tipos de revestimento: Coated, Multi Coated e Fully Multi Coated. Os modelos Coated reduzem em até 95% a reflexão de luz, os Muti Coated em até 98.5% e os Fully Multi Coated em até 99.75%. Quanto maior a redução de reflexão melhor e consequentemente mais caro o conjunto ótico.
Tipo de proteção Passagem de luz Superfície de 10 lentes e prisma
SEM 96%
(0.96)10 = 0.66 (66%)
Camada Simples (MC) 98.5%
(0.985)10 = 0.86 (86%)
Fully Multi Coatded (FMC) 99.5%
(0.995)10 = 0.95 (95%)
Com a tabela acima podemos perceber a importância das camadas de proteção. Uma vez que um binóculo com 95% de passagem de luz tem uma performace muito melhor que um de 66%.
Resumo: BAK4 oferece qualidade de imagem melhor que BAK7 e lentes RUBICON ou avermelhadas não são recomendadas. Binóculos de visão noturna são de uso e comercialização controlada.
Binóculos e números 5-500x1000 ???
Uma das principais dúvidas é o que significam os números dos binóculos ? Bem a resposta correta seria a especificação dele, porém muitos fabricantes enganam os consumidores maquiando o modelo com códigos que parecem a especificação.

Quando se lê num binóculo básico 10X50 o fabricante sério quer dizer que esse modelo tem capacidade de ampliação de 10X ou 10 vezes e uma lente frontal de 50mm ou 5cm de diâmetro. Mas como você pode medir o diâmetro ? Basta usar uma régua e verificar a largura do vidro da lente frontal.
Por exemplo um famoso binóculo SONGDA MIKULA 15x80. Sendo que a lente frontal de 60mm ou 6cm realmente não condiz com a realidade.
Os modelos com zoom são parecidos por exemplo 10-30X50 signifca que podem aumentar a imagem de 10 a 30 vezes com lente frontal de 50mm. Novamente vale a regra da régua.
Pois bem navegando no Mercadolivre e outros sites encontramos diversos modelos tipo 30-260x160. FUJA DESSES MODELOS. Pois basta medir o diâmetro da lente para ver que ele não tem 160mm ou 16cm de largura de vidro. E nem aumenta de 30 a 260 vezes. Isso simplesmente não existe em nenhum modelo de R$ 300. Você vai jogar dinheiro no lixo e perder seu precioso tempo. E normalmente olha as lentes vermelhas (RUBICON) neles.
Sem contar os modelo 10x50x100 que não quer dizer absolutamente nada e demonstram a total ignorância do vendedor ou fabricante.
Resumo: Não acredite em milagres. Para astronomia os binóculos variam de 10 a 30 vezes de aumento. Com diâmetros de 50 a 100mm. Qualquer coisa acima disso desconfie.
Saída de púpila o que é isso ?
Uma medida muito importante a ser calculada é a saida de púpila ou razão entre o diâmetro da lente frontal e o poder de ampliação.


Basicamente quanto maior a lente frontal mais luz entra no sistema ótico do binóculo. Ao passar pelas lentes e prismas a imagem é ampliada num determinado número de vezes. Logo quanto mais luz melhor e temos de encontrar um ponto de equilibrio com relação a ampliação. Do contrário acabamos com uma região muito pequena no centro da imagem que fica realmente em foco e ampliada e o restante da imagem totalmente distorcida.
Esse efeito ocorre em binóculos que aumentam demais a imagem e extrapolam o limite teórico de ampliação. Por exemplo um binóculo de 10-30x50 pode ter uma saida de púpila que varia de 50/10 = 5 até 50/30 = 1.66.
Não recomendamos nenhum modelo com saída de púpila menor que 1. Pois nesse caso o aumento é maior que o próprio diâmetro da lente. Por exemplo o famoso MICULA 15-250x150. Teria uma saída de púpila variando entre 150/15 = 10 e 150/250 = 0.6. FUJA DESSES MODELOS !
A saída de púpila pode ser facilmente medida com uma régua assim como o diâmetro da lente frontal. Basta colocar a régua na lente de saída da imagem e olhar a uma distância de meio metro medindo assim a saída de púpila. Novamente a régua de R$ 1 pode salvar algumas centenas de R$ do seu orçamento.
Mas afinal quais são as marcas que podemos confiar ?
Basta visitar os diversos fóruns na internet para ver uma lista de marcas conceituadas. Vamos dividir em 3 categorias: Excelentes, Muito Boas e Boas. Dentro dessas categorias existem modelos de um mesmo fabricante.

Excelentes:
- Fujinon
- Zeiss
- Steiner
- Nikon

Muito Boas:
- Celestron
- Cintrax AstroView
- Orion
- Oberwerk
- Pentax
- Tasco
- Brunton

Boas:
- Celestron
- Cintrax AstroView
- Orion
- Bushnell
- Tasco
- Brunton

Das marcas acima praticamente 99% dos modelos podem ser comprados de acordo com o tamanho do orçamento sem quaisquer receios. Pelo menos as especificações batem com a realidade. Mas novamente não recomendamos os modelos com lentes coloridas.

Por último não caia na armadilha do nome parecido. Existem diversas marcas no mercado que parecem com outras. Infelizmente esse pode ser considerado o golpe do desespero.
No Brasil devido as altas taxas de importação os modelos considerados Excelentes são praticamente inacessíveis e raramente encontramos no mercado para comercialização. Os demais modelos podem ser encontrados em diversas lojas físicas e na Internet.

Astronomia com binóculos


Astronomos amadores tem atualmente uma grande variedade de telescópios para escolher. Alguns são complexos, maravilhas computadorizadas, enquanto outros tem um apelo mais básico. Mas tenho todos esses modelos e recursos nada é mais versátil que um binóculo. Exatamente, quando se trata de viajar pelos universo dois olhos são melhor que um !

Vantagens de uma observação com dois olhos

Observar o céu a noite com binóculos tem diversas vantagens. Uma das melhores é justamente a facilidade e conforto que o binóculo proporciona. Talvez seja porque podem ser usados enquanto estamos em pé ou sentados. O que pode ser mais gratificadnte que uma varredura casual do paraíso com um binóculo na varanda da sua casa ou sítio ?

Outra vantagem importante é sua mobilidade. Astronomia intinerante ! Enquanto um telescópio pode ser grande e desajeitado levando as vezes algum tempo para ser montado, um binóculo é compacto, podendo ser leve e funciona instantaneamente ! Seja para uso casual ou estudo mais profundo do universo.

Binóculos mostram o céu "verdadeiro". Telescópios viajam pelo céu de forma ou outra seja de cabeça para baixo, da esquerda para direita ou ambos. Graças a imagem correta e grande campo de visão os binóculos mantêm tudo como realmente deveriam ser. Tornando mais fácil a tarefa de localizar objetos em comparação com os guias estelares usados com telescópios.

O campo de visão de um binóculo também permitem uma visão completa de objetos mais largos que normalmente não cabem no campo de visão limitado do telescópio. Provavelmente você já tem alguma experiência com objetos como as Peiades, conglomerados de estrelas, etc. Diversos pontos de observação ficam melhores com um binóculo do que um telescópio.

Pesquisa: Visão binocular é melhor

Além das questões práticas e estéticas, pesquisas mostram que a acuidade visual de um observador aumenta muito ao usar os dois olhos ao invés de apenas um. Visão binocular aumenta a sensibilidade para diferentes escalas de contraste, resolução e cor. Algumas pessoas experimentam um aumento de 25 a 40 % na habilidade de localizar objetos mais escuros usando um binóculo que usando um telescópio convencional.

Essa é uma melhora dramática, mas porque ? A luz que entra no olho é focalizada na retina, que converte a imagem em pulsos elétricos que são enviados para o cerébro. O cerébro interpreta os pulsos de acordo com a imagem que visualizamos. Ao usar somente um conjunto de pulsos elétricos qualquer inconsistência nos sinais irá interferir na imagem final. Com dois conjuntos de sinais para interpretar o cerébro irá combiná-los numa única mensagem. De forma que o resultado será mais sensível para objetos com baixo contraste.

Escolhendo um binóculo para astronomia

Binóculos de performance para noite dependem da abertura das lentes frontais e o poder de ampliação das oculares. Quanto mais largas as lentes mais luz será captada e transferida para os olhos. Para astronomia aberturas de 50mm ou maior são recomendados. Os modelos 7x50 são ideais porque tem uma boa abertura, poder de ampliação bom, imagens nítidas e um campo de visão grande tornando fácil a varredura e localização de objetos.

Um modelo de 10x50 tamanho popular tem a mesma capacidade de captação de luz. Porém tem um poder de ampliação maior (10x). Quanto maior a ampliação maior será a dificuldade de mantêr os objetos em foco e parados no campo de visão. Mas para astronomia sempre é recomendado usar um tripé de forma a prevenir a fadiga de pescoço e braços.

Os melhores modelos para astronomia são os gigantes de 70mm, 80mm ou 100mm de diâmetro. Pelo fato de terem uma abertura maior proporcionam uma visão de objetos mais sensíveis. Mas binóculos gigantes requerem tripé.

Mas não se iluda com promessas miraculosas. Não existe fabricante sério que produza um modelo 15-180x100 ou 30-240x100 e coisas do tipo. São na verdade medidas falsas com ótica da pior qualidade. Quebram com facilidade além de normalmente ser impossível de colimar. De preferência converse com quem já tem um binóculo ou faça um teste antes de comprar em clubes de astronomia.

Lembre sempre 15-180x100 significa:

- ampliação de 15x até 180x

- diâmetro de abertura frontal de 100mm

Basta usar uma régua para medir a lente. E calcular que a 180x a saída de pupila será de 100/180 = 0.55 ou de péssima qualidade.


Dez alvos favoritos para astronomia com binóculo:

1. A Lua - Uau! Podem ser observadas crateras enormes e formações rochosas com claridade enorme. Pelo fato da superfície ser tão clara sua observação é mais recomendada nos períodos de lua crescente ou minguante.
2. Jupiter e suas luas - Podem ser observados planeta gigante e suas luas que mudam de posição ao longo da noite.
3. Via Láctea - Varrer ao longo da densa aglomeração de estrelas durante uma noite de verão é considerado um programa único de grande satisfação. Podem ser observados inúmeros aglomerados de estrelas e muito mais.
4. Sagitárius e nuvens de estrelas - Parte da Via Láctea perto da constelação de Sagitarius revela um grande número de detalhes durante a noite. Alguns dos objetos que podem ser observados são Lagoon, Swan, Nebula Eagle, nuven M24 de estrelas diversos conglomerados.

5. As Pleiades - Esse conjunto em Taurus aparece como seis ou seven estrelas brilhantes mas explode como dezenas usando binóculos.
6. Galáxia de Andromeda - Facilmente localizada a olho nú durante o céu de verão, a majestade Andromeda preenche o campo de visão de um bom binóculo.
7. Nebula de Orion - Uma das gemas mais belas do céu essa nebula brilhante.
8. Conjunto duplo - Residindo perto de Cassiopéia e a constelação de Perseus.
9. Albireo - Uma estrelha dupla de grande brilho na cabeça de Cygnus the Swan.
10. Nuven de estrelas Scutum - Esse campo de estrelas imenso impressiona até o mais experientes.

Escolhendo oculares para seu telescópio

Escolhendo oculares para seu telescópio
Parte 1: Tipos de oculares

Oculistas vem desenvolvendo oculars a mais de 300 anos. Muitos dos modelos clássicos (Huygens, Ramsden, Kellner, Othoscopic, Plossl) existem a mais de 100 ano. Exsitem alguns modelos novo com design proprietário que oferecem com campo de visão mais largo, imagens mais nítidas e menos cansaço para visão.

Correção ótica
O principal objetivo de uma ocular é captar todos os raios de luz a produzir uma imagem nítida. A dificuldade no processo depende da razão f do telescópio. Telescópios com razão f baixa requerem oculares com correção ótica maior por causa do cone de luz que entra na ocular convergir de forma mais curta. Com um telescópio de razão f/10, qualquer ocular bem feita pode produzir uma imagem nítida. Com um telescópio f/4 somente as mais modernas oculares conseguem a performace ótima nos limites do campo de visão.

Eye Relief
O design ótico também determina o eye relief (distância do seu olho até a ocular quando a imagem esta em foco). Se você usa óculos provavelmente precisa de pelo menos 15mm a 20mm de distância da ocular para ver o campo de visão total. Com menos distância para ocular as bordas do campo de visão ficam cortadas resultando num efeito chamado "buraco de fechadura". Em designs tradicionais de oculares, a distância para ocular é proporcional a distância focal: quanto menor a distância focal menor a distância do olho até a ocular. Contudo, alguns modelos mais novos de ocular conseguem o luxo de de longas distâncias até a ocular independente da distância focal, uma excelente vantagem para quem usa óculos de grau.

Campo de visão aparente
O design ótico determina o tamanho do campo de visão. O campo de visão aparente de uma ocular é o diâmetro angular expresso em (°), do círculo de luz que pode ser visto pelos seu olho. É análogo ao tamanho da tela de TV (não a imagem que você vê). A maioria das oculares tem um campo de visão aparente de 40° a 50°.

O campo de visão real é a área do céu visualizada através da ocular quando esta encaixada no telescópio. O campo de visão real pode ser aproximado pela fórmula abaixo:

Campo de visão real

=

Campode visão aparente
_____________

Ampliação

Por exemplo, supomos que você tem um telescópio Schmidt-Cassegrain de 8" com 2000mm de distância focal e uma ocular de 20mm com 50° de campo de visão aparente. A ampliação seria de 10x (2000mm / 20mm). O campo de visão real seria de ( 50/100 ) ou 0.5° quase o mesmo campo aparente que da Lua cheia.

Alguns designs antigos como Ramsden e Huygens e oculares para microscópio cobrem apenas 30° de campo aparente. Novos modelos podem cobrir 60° ou mais. Se você mudar de uma ocular de 30° para 60° mantendo a mesma ampliação notará um campo de visão do dobro do tamanho antigo. Você pode gastar um bom dinheiro em oculares que tem a capacidade de prover um super campo de visão, porém para maioria dos observadores uma ocular com 50° é mais que suficiente. Outros preferem o efeito de "viagem nas estrelas”e usam oculares com o maior campo de visão possível.

Tipos de oculares
Huygeniana: A Huygeniana, ocular com dois elementos, foi inventada por Christiaan Huygens por volta de 1600. Esse design é inferior aos modelos atuais e considerado obsoleto com exceção de alguns modelos que ainda são fornecidos em modelos importados baratos. A distância do olho até ocular é muito pequena e o campo de visão aparente também. O modelo Ramsden do século 18 é muito melhor termos de design mas também não se compara com os modelos atuais.

Kellner: A Kellner de 3 elementos junto com as Ramsden acromáticas e acromáticas modificadas são os modelos mais baratos para o astronômo mais sério. O conjunto oferece imagens nítidas em condições de pouca ou média iluminação. São mais apropriadas para telescópios de porte pequeno à médio e tem campo aparente de aproximadamente 40°. São oculares baratas e boas muito superior as Ramsden. O modelo de 40mm é considerada a ocular mais usada em telescópios de iniciantes com alguma qualidade.

Ortoscópica: A orto de 4 elementos era considerada a melhor ocular de todas as disponíveis. Mas perdeu algum de seu reconhecimento por causa do campo de visão limitado comparado com modelos mais novos. As ortos tem excelente nitidez de imagem, correção de cores e contraste. Oferecem maior distância do olho até a ocular que os modelos Kellner. São especialmente indicadas para observação de planetas e da Lua.

Plossl: Tipo mais popular da atualidade com seu design de 4 elementos oferece excelente qualidade de imagem, boa distância do olho até a ocular e campo de visão aparente de 50°. Os modelos Plossl de alta qualidade tem alto contraste e boa nitidez nas bordas. Ideal para observar alvos. Há 20 anos eram consideradas modelos de luxo e atualmente são de uso geral em telescópios de boa qualidade. Oberservadores com óculos de correção podem usar as Plossl e Ortoscópica com distância focal acima de 17mm.

Erfle: O modelo de 5 ou 6 elementos Erfle é otimizada para campo de visão aparente de 60° a 70°. Com pouca luminosidade sua imagem grande oferece visão excelente do céu. Com luminosidade alta a imagem sofre problemas de nitidez nas bordas.

Grandes angulares: Modelo de design diversos incorporando de 6 a 8 elementos podem atingir um campo de visão aparente de até 85°. Tão grande que é necessário mover os olhos para ver imagem panorâmica, muita gente não gosta desse efeito outras adoram. Sensibilidade a luz diminue um pouco devido a quantidade de elementos óticos mas a qualidade da imagem é excelente. Seu preço também é considerado muito alto para o observador em geral.

Escolher a ocular correta depende de qual o objetivo a ser observado, a qualidade de imagem final e quanto você deseja gastar.

Tamanho do encaixe
Oculares são fabricadas em diferentes tamanhos de encaixe, 0.965", 1.25", e 2". As de menor tamnho deve ser evitada pois normalmente é usada em modelo japoneses. O modelo mais usado seria o de 1.25” e o modelo de 2” normalmente é usado em telescópios de alta qualidade em observatórios.

Oculares iluminadas com retículas
Esse modelo de ocular com retículas (pequenos traços de marcação) ou outros padrões de marcação podem ser iluminadas de forma a ficarem visíveis no escuro. Um braço iluminador externo incorporando um pequeno LED vermelhor com um potenciometro e bateria fazem o circuito que varia a luminosidade da retícula.

Uma ocular com retícula iluminada é necessária para astrofotografia e também util para ser usado no alinhamento do buscador e telescópio.

Parte 2: Quantos milimetros ?

Escolhendo a ampliação e distância focal
Se você usou sempre o mesmo telescópio sabe que tem a opção de visualizar uma imagem pequena, nítida e brilhante ou uma imagem grande, fora de foco e escura. O motivo pode ser relacionado a dois problemas. Primeiro o telescópio capta uma determinada quantidade de luz e ao amplia-la numa área maior a imagem acaba perdendo brilho e resolução. Segundo porque a luz consiste de ondas e até um telescópio perfeito é capaz de captar uma quantidade pequena de detalhes da imagem. Ampliando além de um determinado ponto não melhora nada, apenas piora a imagem. Isso é chamado de ampliação vazia.

Logo o primeiro passo ao escolher uma ocular é decidir que ampliação será usada e qual distância focal a ocular oferece. A distância focal de uma ocular é expressa em mm (milimetros) usando a fórmula a seguir:

Ampliação X

=

Distância focal do telescópio (mm)
__________________________

Distância focal da ocular (mm)


Ou, de outro a forma,

Distância focal da ocular (mm)

=

Distância focal do telescópio (mm)
__________________________

Ampliação


Por exemplo, um telescópio com distância focal de 2000mm usando uma ocular de 20mm resultará numa ampliação de (2000/20) = 100X.

Como a saída de púpila esta relacionada com a ampliação
A ampliação na qual um telescópio trabalha depende de sua abertura. Um telescópio largo capta mais luz e faixa de onda resultando em imagens mais nítidas. Uma forma de interessante seria classificar a ampliação em termos de "ampliação por polegada" de abertura. Por exemplo, 80X em um telescópio de 8” de abertura equivale a 10X por polegada. Outra forma seria calcular a saída de púpila, ou quantidade de luz que sai pela ocular. A saída de púpila em polegadas é recíproca com a ampliação por polegada. De forma mais geral a saída de púpila é calculada em mm usando as fórmulas abaixo:

Saída de púpila (mm)

=

Abertura do telescópio em mm
__________________________

Ampliação

Saída de púpila (mm)

=

Distância focal da ocular em mm
__________________________

Razão f do telescópio


A saída de púpila deve ser menor que a púpila do seu olho ou boa parte dos raios de luz não vão iluminar sua púpila e consequentemente não visualizados. Um jovem com olhos adaptados a escuridão tem uma saída de púpila de aproximadamente 7mm. Ao ficar mais velho sua saída de púpila diminiu. Para adultos em idade média a saída de púpila máxima é em torno de 5mm

No fim da escala em ampliações que extrapolam a saída de pupila na faixa de 0.5mm a 1mm, a ampliação falsa começa a degradar a imagem observada.

Faixa de ampliação

Saída de pupila

Ampliação
por polegada

Ampliação
(Telescópio de 3")

Ampliação
(Telescópio de 8")

Quando usar ?

MUITO BAIXA

4.0 - 7.0mm

3 - 6x

10 - 18x

28 - 50x

Menor poder de ampliação prático. Visão em grande angular de objetos no espaço profundo durante céu escuro.

BAIXA

2.0 - 4.0mm

6 - 12x

18 - 36x

48 - 100x

Observação geral, busca de objetos e boa parte dos objetos do espaço profundo.

MÉDIA

1.0 - 2.0mm

12 - 25x

36 - 75x

100 - 200x

Lua, planetas e objetos mais compactos.

ALTA

0.7 - 1.0mm

25 - 35x

75 - 100x

200 - 280x

Lua e planetas em céu limpo, estrelas duplas e aglomerados compactos.

MUITO ALTA

0.5 - 0.7mm

35 - 50x

100 - 150x

280 - 400x

Planetas e estrelas duplas próximas em céu muito limpo.

Distância focal prática para oculares
Para determinar quais oculares você deve usar para um modelo específico de telescópio siga a tabela abaixo:

Faixa de ampliaçã

Ocular
(Telescópio f/4)

Ocular
(Telescópio f/8)

Ocular
(Telescópio f/10)

Ocular
(Telescópio f/15)

MUITO BAIXA

16 - 28mm

32 - 56mm

40 - 70mm*

60 - 105mm*

BAIXA

8 - 16mm

16 - 32mm

20 - 40mm

30 - 60mm

MÉDIA

4 - 8 mm

8 - 16mm

10 - 20mm

15 - 30mm

ALTA

2.8 - 4mm*

6 - 8mm

7 - 10mm

10 - 15mm

MUITO ALTA

2.0 - 2.8mm*

4 - 6mm

5 - 7mm

7 - 10mm

*Oculares nessa faixa não tem função prática veja abaixo.

Oculares mais comuns estão disponíveis com distâncias focais entre 6mm e 40mm. O encaixe da ocular limita o tamanho da distância focal na prática. Um ocular Plossl de 32mm ou uma Kellner de 40mm usa o diâmetro total de 1.25” do encaixe. Um distância focal maior não cobriria um campo de visão maior. Por outro lado uma distância focal muito pequena, menos de 6mm, sofrem devido a qualidade de lentes pequenas que requerem a posição do olho numa distância impossível de ser posicionada.

Se você precisa de distâncias focais maiores que 40mm alguns telescópios permitem o uso de um encaixe de ocular de 2" e oculares de até 60m de distância focal. Seria o suficiente para entrar na faixa de muito pouca ampliação com um refrator de razão f/15.

Quantas oculares eu preciso ?
Algumas. Voce pode observar durante muito tempo com uma ocular de pequena potência e uma de grande potência. Eventualmente você vai querer algumas opções de distância focal para mais ampliação. Evite a tentação de ir até o limite, seja pouca ou muita ampliação, até você ter completado os estágio intermediários. Por exemplo, num telescópio com razão f/10, uma ocular de 25mm e 9mm é uma excelente opção para iniciantes. Você pode adicionar depois uma de 6mm e 15mm para outras opções.

Com diversas oculares diferentes você terá maior sucesso de atingir a ampliação ótima de um determinado objeto a ser observado. Levando-se em conta as condições do tempo. Normalmente você deve começar com uma ocular de menor potência, como por exemplo uma de 25mm ou 30mm, para colocar o objeto no campo de visão do telescópio. A partir daí pode mudar para uma ocular mais potente de 18 ou 15mm e verificar se imagem fica melhor. Se ficar mude para uma ocular mais potente ainda até atingir o ponto onde a imagem começa a ficar borrada. Nesse caso retorne e comtemple a imagem da sua melhor forma possível com seu equipamento.

Você pode usar uma lente Barlow para aumentar a potência de uma ocular por um fator de 2X ou 3X. Com isso ao invés de usar uma ocular de 3mm, podemos usar uma 6mm com a Barlow 2X e ter o mesmo resultado. Usando uma Barlow você pode ter opções no seu conjunto de oculares. Por exemplo, caso tenha uma ocular de 25mm, 15mm e 10mm usando a Barlow 2X você teria a opção de 12.5mm, 7.5mm e 5mm respectivamente. É como ter 6 oculares usando apenas 1 Barlow e um conjunto de 3 oculares.

Escolhendo um telescópio


Escolhendo um telescópio para astronômia

Tendo em vista a vasta variedade de telescópios disponíveis no mercado, como um entusiasta mas consumidor inexperiente pode escolher o modelo certo ? A resposta para essa questão explicará as diferenças entre tipos específicos de telescópios mas para entender de forma mais abrangente é importante primeiro entender alguns pontos básicos sobre telescópios para astronômia em geral.

Abertura é o fator mais importante
A especificação mais importante para qualquer telescópio astronômico é sua abertura. Esse termo refere ao diâmetro do elemento ótico principal seja o espelho primário ou lentes. A abertura de um telescópio esta relacionado diretamente com dois aspectos vitais da performace do equipamento: sua capacidade de absorver luz (determina o quanto luminoso os objetos serão visualizados) e sua potência máxima de resolução (o quão detalhado serão as imagens). Existem outros critérios a serem considerados durante a seleção de um telescópio, mas se você aprender apenas um aspecto que seja o a seguir: quanto maior a abertura de um telescópio (sua largura ou diâmetro) melhor pois mais luz entra no equipamento.

Não se iluda com poder de ampliação (600X, 1000X...)
Infelizmente, a primeira coisa que vem a mente quando um iniciante quer comprar um telescópio seria “qual o poder de ampliação ?”. Ao contrário como afirmamos acima deveria ser “qual o diâmetro do equipamento ?”. A verdade é que qualquer telescópio pode suprir praticamente qualquer poder de ampliação dependendo da ocular usada. O fator que limita o máximo de ampliação efetiva de qualquer telescópio como você pode ter imaginado é sua abertura. Aumentando a ampliação, a imagem no telescópio fica maior, a luz captada pelo telescópio é projetada sobre uma área maior e consequentemente a imagem fica mais escurecida. Existe um limite absoluto, determinado pelas características físicas da luz, que determina a melhor resolução de imagem para uma determinada abertura. Ao ultrapassar o limite de ampliação imagem começa a perder luminosidade e gradativamente se transforma numa bolha sem resolução.

Limite máximo de ampliação de qualquer telescópio é de 50 vezes sua abertura em polegadas ou 2 vezes sua abertura em milimetros. Isso corresponde a 100x ou 120x para pequenos telescópios o que é suficiente para visualizar os anéis de Saturno ou núvens de Jupiter. A regra de 2x para cada milímetro é mais simples e pode variar para mais ou menos dependendo da qualidade ótica do conjunto e visão do observador. Observadores experientes normalmente usam menos poder de ampliação, em torno de 0.5x a 1x por milímetro é o suficiente para a maioria dos objetos. Qualquer fabricante que afirma que um telescópio de 60mm pode visualizar bem à 450x (7.5x a abertura em milímetros) esta passando uma informação errada.

Quanto maior melhor, porém…
Enquanto a abertura é o aspecto mais importante de um telescópio, existem algumas exceções a regra que “quanto maior melhor”. A primeira é obvia: a facilidade de movimentar. Os maiores telescópios são realmente grandes e requerem uma casa ou observatório permanente ou bastante músculos, uma caminhonete e costas fortes motivadas! Existe um limite para o que seria necessário de performace e facilidade de movimentação. Esse limite existe dependendo dos seus recursos físicos e financeiros. Iniciantes devem começar com um modelo com abertura suficiente de forma de seja fácil manobra-lo. Evite cair na tentação da abertura grande. Aqueles que não conseguem estabelecer o limite compram o maior telescópio que o bolso pode suportar sem pensar em como usa-lo. Esses telescópios monstros normalmente acabam num canto da garagem acumulando poeira, exilado pelo crime de ser muito pesado e grande, enquanto os entusiástas de fim-de-semana ao invés de se transformarem em caçadores de estrelas acabam frustrados.

O céu É o limite
A segunda limitação de um telescópio é menos óbvia mas fica clara após as primeiras sessões de astronomia: A atmosfera terrestre limita o quanto você pode visualizar. Estrelas e planetas visualizados através de um telescópio parecem distorcidas tendo em vista que a luz passa através da atmosfera. Esse efeito é conhecido por astronômos como “seeing” e se torna mais aparente e incomodante na medida que a abertura aumenta. Afeta principalmente a observação da Lua e planetas onde a ampliação aplicada para revelar mais detalhes aumenta também a turbulência do ar.

A distorção devido ao “seeing” varia de acordo com as correntes de ar nas altas camadas da atmosfera e de forma menos direta pela altitude e topografia do local de observação. Numa noite normal e num local normal a turbulência limitará o limite de ampliação para algo em torno de 250x ou 300x e previne que telescópios maiores que 8” ou 10” atingam o máximo de sua performace de ampliação. Telescópios maiores que 10” normalmente são usados por observadores que preferem visualizar galaxias, nebulas e star clusters com pouca luminosidade.


Montagem de telescópios
O ultimo tópico importante a ser coberto antes de entrar no assunto de ótica são os tipos de montagem. Telescópios são oferecidos como Altitude-Azimute (altaz) que movem para cima-baixo (altitude) e esquerda-direita (azimute) ou equatorial que se alinham com eixo de rotação da Terra.

Montagens azimutais são geralmente mais simples de usar e preferidas se o telescópio é usado para observação diurnal e noturna. As melhoras montagens azimutais oferecem controles de precisão de pequenos incrementos e são mais recomendados para ampliações de até 150x. A montagem Dobsoniana é uma variação da azimutal. Utiliza materiais não convencionais para telescópios como madeira e teflon numa montagem que se movimenta facilmente, extremamente estável e pode suportar grandes telescópios por um baixo custo. Apesar de não existir motores elétricos ou engrenagens de precisão pode ser usado com grande sucesso em telescópios grandes de até 200x de ampliação ou mais !

Montagens equatoriais são mais apropriadas para observação astronômica do que terrestre. Sua vantagem esta no fato de facilitar o rastremento de objetos no céu. Esse movimento pode ser feito atrevés de um controle manual de precisão ou por um motor elétrico. A facilidade de visualização para altas potências torna a montagem equatorial a preferida para quem deseja observar a Lua e planetas. Caso queira se especializar em fotografia astronômica a montagem equatorial é a mais recomendada.


Telescópios diferente para cada tipo de observador
Agora que temos informação sobre os princípios básicos de um telescópio, sua performace e montagem. Podemos discutir três modelos óticos básicos: o refrator, o refletor e o composto ou catadioptrico.


O modelo refrator é o modelo que a maioria dos “caçadores de estrelas” pensam quando escutam a palavra telescópio. É um tubo longo e fino montado num tripé com lentes de um lado e ocular do outro. Os refratores foram o primeiro tipo de telescópio inventado e os modelos de refratores mais modernos são os que obtém as melhores imagens para um determinada abertura. Normalmente são escolhidos por observadores que preferem a Lua e planetas por possibilitar as imagens mais nítidas e de alto contraste e alta ampliação sofrendo menor interferência por causa de aspectos atmósfericos que outros tipos de telescópios. Também requerem menor manutenção que os refletores ou catadioptricos. Consequentemente são os preferidos dos astronomos iniciantes.

Porém a qualidade e facilidade não vem com um preço baixo e os refratores são também os mais caros na relação preço x abertura. Grandes refratores podem custar dezenas de milhares de R$ e ainda assim são considerados pequenos para observação astronômica de longa distância. A grande distância focal dos refratores restringe o campo de visão tornando difícil visualizar grandes objetos como constelações e galáxias. E o fato de usar um tubo longo com ocular requer o uso de um tripé grande e alto que se não for de qualidade acaba por trazer instabilidade para o conjunto dificultando assim a observação.




O modelo refletor usa um espelho ao invés de lente para captar a luz e focaliza-la. O tipo mais comum de refletor seria o Newtoniano que usa um espelho primário côncavo no fundo do tubo do telescópio. Um espelho secundário do outro lado direciona a luz captada pelo tubo direto numa ocular. Os modelos Newtonianos oferecem as maiores aberturas possíveis e quando bem feitos podem atingir excelente qualidade de imagem.

Grandes refletores de abertura maior que 10” em montagens Dobsonianas são os mais populares entre astronomos que buscam baldes de luz no espaço profundo. Esses modelos gigantes tem melhor performace durante noites bem escutas longe de grandes cidades. A versatilidade e valor de modelos newtonianos entre 4.5” a 8” com montagens equatoriais ou dobsonianas fazem uma excelente escolha para o iniciante com interesses gerais.

O modelo reflector newtoniano requer manutenção ocasional. Ao contrário do refrator, os espelhos de um refletor precisam de alinhamento periódico ou colimação para melhor nitidez das imagens. Enquanto muitos iniciantes encaram a colimação como um procedimento complicado na verdade é bem simples e não mais que alguns minutos. O tubo do refletor também fica aberto e exposto ao ar e humidade ao contrário do refrator. Se os espelhos não estiverem protegidos pela capa do tubo com o tempo podem acumular poeira e partículas necessitando de limpeza ocasional.

O mais moderno dos três tipos comuns de telescópio para amadores seria o catadioptrico. Usando uma combinação de lentes e espelhos para captar luz e focaliza-la. O maior vantagem desse modelo seria seu tamanho compacto pois as lentes e espelhos em conjunto permitem diminuir o tamanho do tubo e da abertura do telescópio sem perder muita qualidade. Usando uma montagem equatorial um tubo menor e mais leve e mais econômico equivale a um grande Newtoniano. Os modelos catadióptricos são mais usados por quem deseja um tamanho menor sem grandes perdas de qualidade de imagem e abertura.


Os nomes Schmidt-Cassegrain e Maksutov-Cassegrain se referem a modelos específicos de telescópios catadióptricos que usam lentes de perfil diferente para resultados similares. O Maksutov é normalmente relacionado com melhor qualidade de imagem apesar de não existir muito fundamento para suportar essa opinião. Provavelmente Maksutov desenvolveu sua reputação como catadióptrico superior devido o fato de superfícies esféricas serem mais fáceis de produzir com alta precisão que os formatos Schimidt. Sendo assim, um construtor de telescópio que consegue atingir um mínimo de qualidade pode produzir um Maksutov “médio” que tem a mesma ou melhor performace que um Schimidt. Em telescópios de alta qualidade de origem reconhecida ambos os modelos atingem excelente qualidade de imagem.

Existem alguns detalhes nos modelos catadióptricos. Como em qualquer telescópio que usa espelhos, ocasionalmente é necessário fazer uma colimação para melhor nitidez. O custo de um telescópio catadióptrico é mais alto que um Newtoniano da mesma abertura apesar de ser mais barato que um refractor da mesma abertura. De forma mais significante para observação planetária, o espelho secundário no catadióptrico é maior que o secundário de um Newtoniano. Sendo que o contraste também é menor devido o caminho a ser percorrido. De uma forma geral, astronomos que desejam alta qualidade e facilidade de transporte normalmente optam pelos modelos catadióptricos.

Considerando o preço
Orçamento é um fator de decisão de compra na maioria dos casos. Mas existem três armadilhas que devem ser observadas:

  1. Não compre um modelo baratinho de shopping ou supermercado com a intenção de ver como funciona e fazer um upgrade depois. Muitos desses modelos são de péssima qualidade e normalmente frustam o iniciante de forma que abandonam a atividade ou simplesmente jogam for a para comprar outro modelo de maior qualidade.
  2. Por outro lado não gaste uma fortuna ao iniciar na astronomia. Existem muitos modelos a preços acessíveis de excelente qualidade que podem mostrar os Anéis de Saturno, a Lua e muito mais. Comprar um modelo de qualidade mas para iniciante é a melhor forma de decidir como investir no futuro.
  3. Finalmente se você é um daqueles afortunados onde o preço não é um fator importante, pense duas vezes antes de comprar um modelo muito grande que normalmente são o sonho de consume de muitos astronômos experientes. Normalmente esses modelos são difíceis de manusear e requerem uma instalação igualmente cara para tirar o melhor proveito.

E a astrofotografia ?
Antes de chegar a qualquer conclusão eis um conselho para iniciantes que desejam pular de cabeça na astrofotografia: “NÃO !”. Pelo menos até você ter aprendido o suficiente sobre como operar seu telescópio e onde ficam os objetos no céu. Fotografia do paraíso pode ser um atividade maravilhosa de perda de tempo, mas é uma combinação de arte e ciência com uma enorma curva de aprendizagem que desencoraja iniciantes que tentam fazer tudo ao mesmo tempo. Claro que astrofotografia é o interesse número 1 não tem nada de errado ao selecionar um telescópio baseado na facilidade de adaptação de uma câmera no futuro. Enquanto a maioria dos telescópios pode usada para fotografias amadoras o aspecto mais importante para um instrumento de fotografia astronomica são a montagem equatorial e a facilidade de conectar uma câmera que pode ser focada. Por uma séria de motivos técnicos e econômicos telescópios catadióptricos de 8” de abertura são os mais usados para fotografia astronomica. E também servem como excelente equipamentos para observação em geral.

Conclusão
Qual então é o telescópio certo ?
Essa decisão deve ser tomada individualmente mas existem três conselhos abaixo:

  1. O melhor telescópio para você é aquele que você pode usar com maior regularidade. Um enorme e excelente telescópio com ótica impecável não tem nenhuma graça guardado na garagem ou armario.
  2. Levando em conta que todos são iguais, um telescópio com abertura maior tem resultados melhores que um com abertura menor
  3. Compre de uma empresa que entende sobre telescópios e astronomia e que pode dar suporte depois da compra. Imagine se o supermercado ou shopping center pode fazer isso ?